A entrevista de Steve Jobs, abriu ontem, a conferência D8, organizada pelo Wall Street Journal. A entrevista foi comandada por Walt Mossberg e Kara Swisher, que já tiveram oportunidade de entrevistar o CEO da Apple em edições anteriores da conferência D: All Things Digital.

Apple ultrapassa Microsoft nos mercados: Jobs considera a situação surreal.
Flash e a carta aberta: Jobs considera que a Apple está sempre na vanguarda tecnológica e a Adobe nunca apresentou uma solução viável. Preferiram avançar para o HTML5. Uma coisa é certa, a Apple tenta sempre apresentar o melhor produto. Se for realmente bom, as pessoas compram. No caso do iPad, parece que estão a gostar muito.
E-mails: Steve Jobs abordou a questão da sua nova forma de comunicação com o exterior.
Sobre o protótipo do iPhone: Há uma investigação a decorrer e existe a dúvida se o iPhone foi realmente roubado ou se ficou esquecido no bar. Jobs referiu ainda que teria que tomar uma posição em relação a esta situação. Caso não o fizesse, estaria a ir contra os seus princípios. Mais valia, abandonar o cargo que ocupa.
Suicídios na Foxconn: Steve Jobs confirmou que a Apple está atenta à situação. Referiu ainda que a taxa de suicídio até é baixa, quando comparada com a taxa de suicídios dos EUA, mas que não deixa de ser uma situação preocupante.
Guerra de plataformas com Microsoft, Google, sites sociais e o Google como concorrente: Jobs considera que nunca houve guerras e não assume o mercado com essa postura. Quanto ao Google, Steve Jobs refere que a empresa de Palo Alto decidiu competir com a Apple e que a Apple não vai entrar no negócio das pequisas. Apesar dessa competição, a Apple e o Google vão continuar a trabalhar em conjunto.“
Sobre a aquisição da Siri e as pesquisas: Jobs insistiu que a Siri não é uma empresa de pesquisas, mas sim de IA – Inteligência Artificial e quando a Apple a adquiriu, foi com o objectivo de aproveitar o seu know-how em IA e que não está interessado no mercado das pesquisas.
Outras operadoras nos EUA: Jobs avançou apenas que havia vantagens em ter parcerias com mais operadoras nos EUA, mas essa resposta seria sempre um pouco óbvio, mas vez que essa poderá ser uma das informações cuja confirmação será feita na próxima terça-feira.
Sobre tablet PCs: É neste segmento que Jobs esclareceu que o caminho seguido pela Microsoft era claramente errado, ao tentar adaptar um Sistema Operativo de desktop a um tablet. Era necessário começar do zero e desenvolver um sistema operativo pensado para ecrãs mais pequenos é tácteis. É neste momento que Jobs revela que o desenvolvimento do tablet, hoje conhecido como iPad, foi iniciado antes do iPhone. Após os primeiros protótipos, a Apple decidiu adiar o tablet e apostar num smartphone. Daí resultou o iPhone, com o sucesso que conhecemos.
Sobre revistas, publicações e a iBookstore: Foi também abordada a questão das revistas e livros e de que forma, se poderá salvar o modelo de negócio a esse tipo de publicações. Steve Jobs expôs a sua opinião.
Processo de aprovação de Apps na App Store: Jobs defendeu que a Apple segue por dois caminhos, que os utilizadores podem seguir. O primeiro é um caminho livre através do HTML5, isto é, através de WebApps disponíveis através do browser. O segundo é um caminho controlado e suportado pela própria Apple, a App Store. Não usar APIs privadas, ser clara no na função e não crashar, são algumas das regras impostas pela Apple às aplicações submetidas na App Store.
Sobre o trabalho na Apple: Steve Jobs também revelou na entrevista de que forma é o seu trabalho na Apple. Revelou que a empresa de Cupertino se organiza como uma startup, apesar da sua dimensão e reúnem-se diariamente durante 3 horas, para discutir todos os projectos em curso na empresas, para que todos tenham uma noção clara do que está a ser feito. Gosta que as pessoas contribuam com ideias, da mesma forma que gosta de contribuir com ideias.
iAds: Jobs confessou que os sistemas de anúncios da concorrência são de qualidade duvidosa e deseja que a Apple tenha um papel importante nessa área. Embora não tivesse sido feita qualquer referência, parece-me claramente que é aqui que a Apple enfrenta o seu concorrente, o Google. Não é através das pesquisas, mas sim através da publicidade na web, neste caso, nas Aplicações no iPhone OS.
Privacidade: É neste tópico que Jobs aproveita para dar uma alfinetada no Google. Mossberg recorda alguns casos recentes relacionados com a privacidade, como o Facebook, Google Buzz… e Jobs completou com o caso do recolha dos dados relativos às redes Wifi, através dos automóveis do Street View do Google. Jobs reafirmou que a questão da privacidade é importante para a Apple. É possível comprovar isso nas janelas de confirmação da partilha da localização nas aplicações que solicitam essa informação. A Apple já foi criticada por ser bastante conservadora, mas Steve Jobs mantém o critério.
Entretanto, já foi divulgado um vídeo com o resumo da entrevista de ontem. Oportunamente será divulgado o vídeo completo.